Dores pélvicas crônicas: quando o corpo pede atenção contínua

A dor pélvica crônica é uma condição que afeta homens e mulheres e pode impactar significativamente a qualidade de vida, o bem-estar emocional e as atividades do dia a dia.

Quando a dor persiste por meses, mesmo sem uma causa evidente, ela deixa de ser apenas um sintoma passageiro e passa a ser um sinal de que o corpo precisa de cuidado contínuo.

Entender esse processo é o primeiro passo para um tratamento mais consciente e eficaz.


O que são dores pélvicas crônicas?

A dor pélvica crônica é caracterizada por um desconforto persistente na região inferior do abdômen, quadril, períneo ou área pélvica, com duração prolongada, geralmente superior a três meses.

Ela pode se manifestar como:

  • Dor em peso
  • Queimação
  • Pressão
  • Sensação de tensão
  • Desconforto constante ou intermitente

Em muitos casos, não está ligada a uma única causa, mas a um conjunto de fatores físicos, emocionais e comportamentais.


Principais causas associadas

As dores pélvicas crônicas costumam estar relacionadas a:

  • Tensão excessiva da musculatura pélvica
  • Alterações posturais
  • Estresse prolongado
  • Ansiedade e sobrecarga emocional
  • Hábitos corporais inadequados
  • Sedentarismo ou sobrecarga física
  • Histórico de cirurgias ou inflamações

O corpo registra experiências físicas e emocionais. Quando não há equilíbrio, essa sobrecarga pode se manifestar como dor persistente.


A relação entre mente, corpo e dor

A dor crônica não envolve apenas estruturas físicas.
Ela também está ligada ao sistema nervoso e ao estado emocional.

Situações de estresse constante, pressão profissional, preocupações e falta de descanso afetam diretamente o tônus muscular e a forma como o corpo percebe estímulos.

Com o tempo, o organismo entra em um estado de alerta contínuo, dificultando o relaxamento da musculatura pélvica.

Esse ciclo pode manter a dor ativa, mesmo quando não há lesões aparentes.


Como a fisioterapia pélvica integrativa pode ajudar

A fisioterapia pélvica integrativa atua de forma global, considerando a pessoa como um todo.

O foco não é apenas aliviar o sintoma, mas compreender a origem da dor e promover equilíbrio corporal.

O trabalho envolve:

  • Avaliação individualizada
  • Consciência corporal
  • Técnicas de relaxamento muscular
  • Reeducação postural
  • Orientações para o dia a dia
  • Estratégias de autorregulação

O objetivo é devolver ao corpo a capacidade de funcionar sem tensão excessiva e sem dor constante.


A importância do acompanhamento profissional

Conviver com dor por muito tempo pode levar à normalização do sofrimento.
Muitas pessoas passam anos acreditando que “é normal sentir dor”.

Não é.

A dor persistente é um sinal de desequilíbrio e merece atenção especializada.

Buscar acompanhamento é um ato de cuidado, responsabilidade e respeito consigo mesmo.


Autocuidado como parte do tratamento

Além do acompanhamento profissional, algumas atitudes ajudam no processo:

  • Praticar respiração consciente
  • Respeitar momentos de descanso
  • Manter hábitos posturais saudáveis
  • Evitar sobrecargas físicas desnecessárias
  • Cuidar da saúde emocional
  • Observar sinais do corpo

O tratamento é mais eficaz quando há participação ativa da pessoa no próprio cuidado.


Conclusão

As dores pélvicas crônicas não devem ser ignoradas ou tratadas apenas como algo passageiro.

Elas representam um pedido de atenção do corpo.

Com acompanhamento adequado, consciência corporal e cuidado integral, é possível recuperar conforto, funcionalidade e qualidade de vida.

Cuidar da região pélvica é cuidar da saúde como um todo.


Rodrigo Devadas – Fisioterapeuta Pélvico Integrativo

Crefito: 393164F



Referências

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