Vai ao banheiro toda hora para evitar perder urina? Entenda o que pode acontecer após a prostatectomia

Depois da prostatectomia, muitos homens passam a ter episódios de perda de urina. Por medo de escapar, uma estratégia bastante comum é ir ao banheiro várias vezes ao dia, mesmo quando a vontade de urinar ainda é pequena.

É compreensível. Afinal, ninguém gosta da sensação de não saber quando uma perda pode acontecer.

Mas será que urinar sempre “por garantia” ajuda a recuperar o controle da bexiga?

A bexiga também precisa reaprender

A bexiga tem a função de armazenar a urina e liberá-la no momento adequado. Para isso, existe uma interação entre a bexiga, o sistema nervoso e os músculos responsáveis pela continência.

Quando uma pessoa começa a urinar repetidamente antes que a bexiga esteja realmente cheia, pode acabar criando um padrão de micções muito frequentes.

Isso não significa que a bexiga necessariamente “diminua” ou perca sua capacidade física de armazenar urina. O que pode acontecer é uma adaptação do comportamento urinário: a pessoa passa a responder à primeira sensação de vontade, diminuindo progressivamente o intervalo entre as micções.

Por isso, simplesmente tentar esvaziar a bexiga a todo momento para evitar uma possível perda nem sempre é a melhor estratégia.

E depois da prostatectomia?

A cirurgia da próstata pode modificar os mecanismos responsáveis pela continência urinária. Durante o período de recuperação, o homem pode apresentar perdas principalmente ao tossir, espirrar, levantar, caminhar, fazer exercícios ou realizar outros esforços.

Nesse contexto, é comum surgir o receio de sair de casa, praticar atividades físicas ou ficar muito tempo sem acesso ao banheiro.

A fisioterapia pélvica masculina pode fazer parte dessa recuperação, trabalhando não apenas a musculatura do assoalho pélvico, mas também coordenação, controle motor, resistência muscular e estratégias para lidar com os sintomas urinários.

O que é o treino vesical?

Em alguns casos, o fisioterapeuta pode utilizar o treino vesical como parte do tratamento.

O objetivo é ajudar o paciente a reconhecer melhor os sinais da bexiga e, de maneira progressiva e individualizada, aumentar os intervalos entre as micções, quando isso for indicado.

Isso não significa simplesmente “segurar o xixi”.

O treinamento deve respeitar os sintomas, a capacidade funcional, o momento da recuperação e as características de cada paciente.

E o assoalho pélvico?

O assoalho pélvico masculino participa diretamente do mecanismo de continência urinária.

Após a prostatectomia, o treinamento fisioterapêutico pode incluir:

  • exercícios específicos para o assoalho pélvico;
  • treinamento de contrações rápidas e sustentadas;
  • coordenação muscular;
  • controle da contração durante esforços;
  • relaxamento adequado;
  • biofeedback;
  • estratégias para melhorar o controle das perdas;
  • treino funcional;
  • orientação sobre hábitos urinários.

Quando indicado, recursos como biofeedback e eletromiografia de superfície (sEMG) podem ajudar o paciente a visualizar e compreender melhor o funcionamento da musculatura durante o treinamento.

Urinar toda hora não é necessariamente a solução

Se você está indo ao banheiro frequentemente apenas por medo de perder urina, vale conversar com um profissional.

A frequência urinária pode ter diferentes causas e precisa ser avaliada individualmente. O objetivo da fisioterapia não é simplesmente fazer você “segurar mais”, mas entender como sua bexiga e seu assoalho pélvico estão funcionando e desenvolver estratégias adequadas para recuperar o controle urinário.

Fisioterapia pélvica masculina em Jundiaí

A reabilitação após a prostatectomia pode ser planejada de acordo com os sintomas e objetivos de cada homem.

A avaliação fisioterapêutica pode identificar alterações no funcionamento do assoalho pélvico e orientar um programa de tratamento individualizado para a recuperação da continência urinária.

Rodrigo Devadas
Fisioterapeuta Pélvico e Sexólogo
Fisioterapia Pélvica Masculina – Jundiaí/SP