Saúde pélvica masculina em números: o que as estatísticas revelam sobre incontinência urinária e disfunções sexuais

Problemas como incontinência urinária, disfunção erétil e alterações da ejaculação ainda são cercados de silêncio entre os homens. No entanto, os dados científicos mostram que essas condições são mais comuns do que se imagina — e, na maioria dos casos, tratáveis, especialmente com a fisioterapia pélvica.

Incontinência urinária masculina: não é rara, nem “normal”

Estudos epidemiológicos indicam que a incontinência urinária afeta aproximadamente 5% a 15% dos homens adultos, com aumento progressivo com a idade.
Após cirurgias prostáticas, como a prostatectomia radical, esse número pode chegar a 30%–60% no pós-operatório imediato, reduzindo ao longo dos meses quando há reabilitação adequada.

A fisioterapia pélvica é considerada tratamento de primeira linha (padrão ouro) para a recuperação do controle urinário, conforme diretrizes internacionais.

A incontinência urinária (IU) masculina no SUS atinge cerca de 15% dos homens acima de 40 anos, com prevalência de até 27% em idosos, sendo frequentemente associada a cirurgias de próstata (prostatectomia). Dados indicam um aumento da procura ambulatorial (94 mil procedimentos entre 2010-2019), concentrado na região Sudeste.

Disfunção erétil: prevalência maior do que se admite

A disfunção erétil (DE) acomete cerca de 30% a 50% dos homens entre 40 e 70 anos, segundo grandes estudos populacionais.
Após cirurgia de próstata, a prevalência pode ultrapassar 60%, dependendo da idade, técnica cirúrgica e preparo pré-operatório.

Além de fatores vasculares e neurológicos, a função erétil depende do assoalho pélvico, do controle neuromuscular e do sistema nervoso autônomo — áreas diretamente abordadas pela fisioterapia pélvica.

Ejaculação precoce: a disfunção sexual masculina mais comum

A ejaculação precoce é considerada a disfunção sexual masculina mais prevalente, afetando cerca de 20% a 30% dos homens em algum momento da vida.

Estudos mostram que alterações no controle muscular pélvico, hipersensibilidade e padrões respiratórios inadequados estão associados ao quadro. Intervenções fisioterapêuticas têm demonstrado melhora significativa do controle ejaculatório.

Ejaculação retardada: menos comum, mas subdiagnosticada

A ejaculação retardada é menos prevalente, acometendo cerca de 1% a 4% dos homens, mas costuma estar associada a:

  • tensão excessiva do assoalho pélvico
  • alterações neurológicas
  • ansiedade de desempenho
  • uso de medicamentos

Por ser pouco falada, muitos homens convivem com o problema sem diagnóstico ou tratamento adequado.

O papel da fisioterapia pélvica integrativa

A fisioterapia pélvica masculina, especialmente quando aplicada de forma integrativa, atua não apenas no músculo, mas também:

  • na coordenação neuromuscular
  • na respiração
  • na regulação do sistema nervoso
  • na consciência corporal
  • nos aspectos emocionais associados à disfunção

Essa abordagem tem mostrado resultados superiores na reabilitação funcional, na adesão ao tratamento e na qualidade de vida.

Falar de números é falar de cuidado

As estatísticas mostram que essas condições não são exceção, mas parte da realidade masculina.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza — é uma atitude de cuidado com o corpo, a saúde e a vida ativa.

Rodrigo Devadas

Fisioterapeuta Pélvica Integrativa

Referências científicas

  • Abrams P et al. Fourth International Consultation on Incontinence. ICUD, 2017.
  • Rosen RC et al. The Massachusetts Male Aging Study (MMAS). J Urol, 1994.
  • Gratzke C et al. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2023.
  • Anderson RU et al. Pelvic floor muscle training in men with sexual dysfunctions. Urology, 2015.
  • Laumann EO et al. Sexual dysfunction in the United States. JAMA, 1999.
  • Dorey G. Pelvic floor muscle exercises and erectile dysfunction. Br J Nurs, 2007.